O inferno de fogo

Prof. João Flavio Martinez

O inferno de fogo

Podemos definir o inferno como segue: O inferno é lugar de castigo eterno e consciente para o ímpio. As Escrituras ensinam em várias passagens que existe tal lugar. No fina] da parábola dos talentos,o senhor diz: “E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 25.30). Esta é uma das várias indicações de que haverá consciência do castigo após o juízo final. De modo semelhante, o rei dirá a alguns no julgamento: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41), e Jesus diz que essas pessoas assim condenadas irão “para o castigo eterno; porém os justos, para a vida eterna” (Mt 25.). Nesse texto, o paralelo entre “vida eterna” e “castigo eterno” indica que ambos os estados não terão fim.

Jesus refere-se ao inferno como “o fogo inextinguível” (Mc 9.43) e diz que o inferno é um lugar “onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga” A história do rico e Lázaro também indica uma consciência horrível de castigo:



"Morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse... manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama" (Lc 16.22.24).



Quando nos voltamos para Apocalipse, as declarações deste castigo eterno são bem explícitas:



“Seguiu-os ainda um terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão,também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se acha preparado sem mistura, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.A fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, nem aquele que recebe o sinal do seu nome.” [Apocalipse 14:9-11]

Essa passagem afirma de modo claro a idéia de castigo eterno e consciente dos incrédulos:



Com respeito ao julgamento sobre a cidade iníqua de Babilônia, uma grande multidão no céu clama: “Aleluia! E a sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos” (Ap 19.3). Depois que a rebelião final de Satanás é esmagada, lemos: “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (Ap 20.10). Essa passagem é significativa também em associação com Mateus 25.41, em que os incrédulos são enviados “para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Esses versículos devem fazer-nos perceber a imensidão do mal que há no pecado e na rebelião contra Deus, e a magnitude da santidade e da justiça de Deus que trazem à tona esse tipo de julgamento.

A idéia de que haverá castigo eterno e consciente dos incrédulos tem sido negada recentemente até mesmo por alguns teólogos evangélicos. Antes disso, já tinha sido negada pelas Testemunhas de Jeová, Igreja Adventista do Sétimo Dia e por vários indivíduos ao longo da história da igreja. Com freqüência aqueles que negam o castigo eterno e consciente defendem o “aniquilacionismo” um ensino segundo o qual, depois que os ímpios tiverem sofrido a pena imposta pela ira de Deus por um tempo, Deus irá “aniquilá-los” de modo que não mais existirão. Muitos dos que acreditam no aniquilacionismo também defendem a realidade do juízo final e do castigo para o pecado, mas alegam que depois de os pecadores sofrerem por certo período a ira de Deus contra seus pecados, deixarão por completo de existir. O castigo será, portanto, “consciente”, mas não “eterno”.

Os argumentos apresentados a favor do aniquilacionismo são: (1) as referências bíblicas à destruição dos ímpios, que, segundo alguns, implicam que eles não existirão mais depois de serem destruídos (Fp 3.19, BLH; lTs 5.3; 2Ts 1.9; 2Pe 3.7; et aI.); (2) a aparente incoerência do castigo eterno e consciente com o amor de Deus; (3) a aparente injustiça envolvida na desproporção entre pecados cometidos no tempo e o castigo que é eterno; e (4) o fato de que a presença contínua de criaturas más no universo de Deus prejudicará eternamente a perfeição de um universo criado para refletir a glória divina.



Em resposta, deve-se observar que as passagens que falam de destruição (tais como Fp 3.19, BLH; lTs 5.3; 2Ts 1.9; e 2Pe 3.7) não implicam necessariamente a cessação da existência, pois os termos traduzidos por “destruição” nesses textos nem sempre significam aniquilação e podem ser apenas maneiras de falar do juízo final sobre os incrédulos. Com respeito ao argumento baseado no amor de Deus, a mesma dificuldade em harmonizar o seu amor com seu castigo eterno parece estar presente na harmonização do amor de Deus com qualquer idéia de castigo divino; e, no sentido inverso, se Deus é coerente ao punir os ímpios após certo tempo durante o juízo final então não parece haver nenhuma razão necessária pela qual Deus seria incoerente ao infligir o mesmo castigo por um período interminável. Esse tipo de raciocínio pode levar algumas pessoas a adotar outra espécie de aniquilacionismo, em que não há nenhum castigo consciente, nem mesmo por um breve tempo, e a única punição é que os incrédulos deixam de existir depois de morrer. Mas em resposta pode-se indagar se esse tipo de aniquilação imediata pode realmente ser chamado castigo, uma vez que não haveria nenhuma consciência de dor. Na realidade, a garantia da cessação em especial para aqueles que estão em sofrimento possuem vários aspectos. E se não há nenhum mo Hitler e Stalín não teriam nada vindo o. Por conseguinte, as pessoas teriam grande incentivo para serem tão más quanto possível nesta vida.

O argumento de que o castigo eterno é injusto (porque há uma desproporção entre pecado temporário e punição eterna) pressupõe de modo errado que nós sabemos a extensão do mal praticado quando os pecadores se rebelam contra Deus. David Kingdom observa que o pecado contra o criador é hediondo num grau absolutamente maior do que pode conceber nossa imaginação (capacidade) deformada pelo pecado. [...] Quem cometeria a temeridade de sugerir a Deus como o castigo [...] deve ser?”’ Ele responde também a esta objeção dando a entender que os incrédulos no inferno poderão continuar pecando e recebendo castigo por seus pecados, mas nunca se arrependendo, e observa que Apocalipse 22:11 aponta nessa direção: “Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda.”



Ademais pode-se deduzir neste ponto um argumento baseado na justiça de Deus contra o aniquilacionismo. O curto período de castigo imaginado pelos aniquilacionistas paga de fato todo o pecado do incrédulo e satisfaz a justiça de Deus? Se não, então a justiça de Deus não foi satisfeita, e o incrédulo não deve ser aniquilado. Mas se a resposta for afirmativa, então o pecador deve ter permissão para entrar no céu e não deve ser aniquilado. Qualquer que seja o caso o aniquilacionismo não é necessário nem correto. Com relação ao quarto argumento que o mal permanece sem punição deprecia a glória de Deus no universo, devemos notar também que quando Deus pune o mal e triunfa sobre ele, a glória de sua justiça, retidão e poder para triunfar sobre toda a oposição será vista. (Rm. 9:17; 22-24) A profundidade das riquezas da misericórdia de Deus também será revelada, pois todos os pecadores redimidos reconhecerão que eles também merecem tal castigo da parte de Deus e escaparam disso unicamente pela graça de Deus por Jesus Cristo (Rm 9:23-24).

Contudo depois de dizer tudo isso, temos que admitir que a solução definitiva das profundezas dessa questão ultrapassa nossa capacidade de entender e permanece oculta nos conselhos de Deus. Não fosse pelas passagens das Escrituras citadas acima que afirmam de modo tão claro o castigo eterno e consciente, a aniquilação poderia parecer-nos uma opção atraente. Embora a aniquilação possa ser contestada por meio de argumentos teológicos, são em última análise a clareza e a força das próprias passagens que nos convencem de que o aniquilacionismo é incorreto e que as escrituras de fato ensinam o castigo eterno e consciente dos ímpios.

Que devemos pensar sobre essa doutrina? Para nós é muito difícil – e deve ser difícil mesmo – pensar nessa doutrina hoje. Se nosso coração não for tocado pela profunda tristeza ao contemplar essa doutrina, então há séria deficiência em nossa sensibilidade espiritual e emocional. Quando Paulo pensa na perdição de seus patrícios diz: “Tenho grande tristeza e incessante dor no coração”. Isso é coerente com o que Deus diz sobre a morte do ímpio: “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que morrereis, ó casa de Israel?” [Ezequiel 33:11]. E a agonia de Jesus é evidente quando ele clama: “E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela,

42 dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos.” [Lucas 19:41-42].

A razão pela qual é tão difícil para nós pensar na doutrina do inferno é que Deus pôs em nosso coração uma porção de seu amor pelas pessoas criadas à sua imagem, o mesmo amor pelos pecadores que se rebelaram contra Ele. Enquanto permanecemos nesta vida, e enquanto vemos e pensamos sobre os outros que precisam ouvir o evangelho e aceitar a Cristo para receber a salvação, pensar no castigo eterno deve causar-nos grande sofrimento e angústia de espírito.

Contudo, devemos entender também que tudo o que Deus em sua sabedoria ordenou e ensinou nas Escrituras é certo. Portanto, devemos nos cuidar para que não venhamos a odiar essa doutrina ou nos rebelar contra ela; antes, devemos procurar, na medida do possível, chegar ao ponto de reconhecer que o castigo eterno é bom e certo, porque em Deus não há nenhuma injustiça.

Pode-nos ser de ajuda perceber que se Deus não executar punição eterna, então, aparentemente, sua justiça não seria satisfeita e sua glória não seria promovida de maneira que ele julga sábia. E talvez nos seja útil também perceber que da perspectiva do mundo por vir há muito maior reconhecimento da necessidade e da justiça do castigo eterno.João ouviu os crentes martirizados clamarem no céu: “Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap 6.10). Além disso, no momento da destruição final da Babilônia, a grande voz de uma numerosa multidão no céu clama em louvor a Deus, em virtude da retidão do seu julgamento, ao ver por fim a natureza hedionda do mal pelo que ele realmente é:



Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso. Deus, porquanto verdadeiros...

e justos são os seus juízos, pois julgou a grande meretriz que corrompia a terra com

a sua prostituição e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos 1..] Aleluia! E

a sua fumaça sobe pelos séculos dos ;éculos (Ap 19:1-3).



Assim que isso aconteceu, “os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes prostraram-se e adoraram a Deus, que se acha sentado no trono, dizendo: Amém! Aleluia!» (Ap 19.4). Não podemos dizer que essa grande multidão de redimidos e os seres viventes no céu tem julgamento moral errado quando louvam a Deus por exercer juízo sobre o mal, pois eles estão todos livres do pecado e seu julgamento moral é agradável a Deus.

Nesta presente era, porém, devemo-nos aproximar de tal celebração da justiça de Deus em castigar o mal só quando meditamos sobre a punição eterna dada a Satanás e seus demônios. Quando pensamos neles, não os amamos instintivamente, embora também sejam criaturas de Deus. Mas agora estão completamente devotados ao mal e fora do alcance da redenção. Logo, não podemos ansiar pela salvação deles do mesmo modo pelo qual ansiamos pela salvação de toda a humanidade. Devemos crer que o castigo eterno e verdadeiro e justo; contudo devemos também desejar que até mesmo aquelas pessoas que perseguem a igreja do modo mais cruel cheguem à fé em Cristo e, dessa forma, escapem da condenação eterna.

2 comentários:

Frank Silva disse...

Qual é o maior bem que podemos receber de Deus?
Resposta: A vida eterna.
Qual é a pior castigo que o homem pode receber por se afastar de Deus?
Resposta: A morte.

Resumo: O sofrimento pelos nossos erros já recebemos em vida, portanto o inferno de fogo que a bíblia se refere é simbólico. Parábola é uma forma ilustrativa que Jesus usava para as pessoas entederem melhor suas mensagéns.
Deus não é masoquista. Devemos obedece-Lo pelo amor e não por Medo.
Eu sugiro que estude melhor o signifado da palavra inferno.

Anônimo disse...

Negar a Palavra de Deus é rumar para a sua autodestruição. Se o próprio Jesus falou acerca de inferno como nós, pó e cinza, sombras que se esvainecem, podemos refutá-lo pregando outro Evangelho? Eu creio na Bíblia e tudo o que Nela há irá se cumprir. Vamos acordar o quanto antes porque é melhor obedecer do que sacrificar(I Samuel 15:22).
Isaías
34:16 Buscai no livro do Senhor, e lede; nenhuma destas coisas falhará, nem uma nem outra faltará; porque a minha própria boca o ordenou, e o seu espírito mesmo as ajuntará.